Após 16 anos, familiar de prefeito não chegará a Assembleia Legislativa

A lista começou com Rosalba Ciarlini, passou pelo casal Fafá Rosado e Leonardo Nogueira e chegou, até, o atual prefeito

Foto: Divulgação
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O ex-deputado estadual Francisco José, pai do atual prefeito de Mossoró, Francisco José Júnior, vai entrar para história como o primeiro nome, em 20 anos, a não ser eleito mesmo tendo o apoio do chefe do Executivo mossoroense. Afinal, um levantamento d’O Jornal de Hoje aponta que todos os candidatos apoiados por quem está no poder na chamada “capital do Oeste”, têm conseguindo triunfar. A lista começou com Rosalba Ciarlini, passou pelo casal Fafá Rosado e Leonardo Nogueira e chegou, até, o atual prefeito.
A história começa em 1988, quando a médica Rosalba Ciarlini (atualmente governadora do RN), foi eleita prefeita de Mossoró, na época, estando filiada ao PDT. Quatro anos depois, ela deixou a chefia do executivo nas mãos do seu sucessor, Dix-huit Rosado, também filiado ao PDT. Em 1996, novamente o candidato apoiado pelo Executivo mossoroense ganhou a disputa eleitoral. E, novamente, Rosalba Ciarlini foi eleita, desta vez já filiada ao PFL, sigla que se tornaria DEM alguns anos mais tarde.
Dois anos depois, a demonstração de que a força da Prefeitura de Mossoró iria além das eleições municipais: Ruth Ciarlini, irmã de Rosalba, foi eleita deputada estadual, também pelo PFL, conseguindo 19 mil votos. Em 2000, novamente na “cadeira” de prefeita e contando com uma boa avaliação de sua gestão, Rosalba foi reeleita para a Prefeitura mossoroense, atingindo 57 mil votos. Em 2002, nova eleição estadual e, claro, Ruth foi reeleita deputada estadual, mantendo a dobradinha das irmãs Ciarini.
Rosalba não foi candidata em 2004. Abriu o espaço para Maria de Fátima Rosado, a Fafá Rosado que, obviamente, chegou à chefia do Executivo repetindo a votação da aliada política: 57 mil votos. E se, com Rosalba, a dobradinha era com Ruth, com Fafá a apoio foi ao marido dela, Leonardo Nogueira, também do PFL, eleito deputado estadual em 2006 com 45 mil votos. Para se ter uma idéia da força do apoio da chefia do Executivo de Mossoró, na “capital do Oeste”, o candidato a deputado obteve 25 mil votos.
O curioso aí é que, em 2006, a força do apoio do chefe do Executivo mossoroense não se valeu, apenas, para eleger o deputado estadual que o prefeito (a) apoiara. Serviu também para fazer um senador. Ou melhor, uma senadora: Rosalba Ciarlini, que depois de apoiar a vitória de Fafá na Prefeitura, foi apoiada por ela para o Senado e venceu a disputa.
É evidente que, se Rosalba conseguiu se reeleger estando na Prefeitura, Fafá também conseguiria e, em 2008, a prefeita conseguiu renovar o mandato com 61 mil votos obtidos. Consequentemente, a estatística prevaleceu e, em 2010, Leonardo Nogueira foi reeleito para a Assembleia Legislativa, com 41 mil votos.
Além disso, Rosalba Ciarlini, candidata ao Governo do Estado de preferência da prefeita mossoroense, Fafá Rosado, foi eleita com sobras, derrotando, inclusive, o governador da época, Iberê Ferreira, do PSB, candidato a reeleição. E não foi só: candidato a deputado federal, o cunhado de Rosalba, Betinho Rosado conseguiu ser eleito deputado federal.

Uso da máquina gerou condenações nos governos Fafá e Rosalba
A tradição de “pé quente” para quem estivesse no Executivo mossoroense começou a virar em 2012. Não que o candidato dele tenha perdido, mas sim porque a Justiça Eleitoral viu não só sorte, mas também uso da máquina pública para beneficiar a candidatura. Foi por conta disso que Cláudia Regina, candidata apoiada pela então prefeita Fafá Rosado e pela governadora Rosalba Ciarlini, até venceu a eleição, mas acabou sendo cassada (13 vezes) e sendo obrigada a deixar o cargo.
Para quem não lembra, a candidatura da então vereadora Cláudia Regina foi definida de “última hora” pelo DEM. O partido não podia lançar Fafá Rosado, prefeita reeleita, e também havia um impedimento eleitoral para a vice, Ruth Ciarlini (pelo fato dela ser irmã de Rosalba, governadora). A escolhida para manter a tradição de vitórias foi Cláudia Regina, parlamentar conhecida pelo carisma e “potencial” eleitoral.
Cláudia conseguiu virar uma eleição dada como perdida e derrotou, com 5 mil votos de vantagem, a favorita Larissa Rosado, do PSB. Antes dela assumir o cargo, no entanto, começaram as denúncias de uso das máquinas municipal e estadual, em benefício dela. Fafá Rosado, inclusive, chegou a ver o irmão, o secretário-chefe do Município, Gustavo Rosado, ser condenado pela Justiça Eleitoral ao pagamento de multa por usar servidores municipais em reuniões de campanha da candidata Cláudia Regina.
Rosalba foi pior: usou o avião oficial do Governo para viajar seguidas vezes para Mossoró e, como governadora, prometeu benefícios, sempre ligando a concessão deles a eleição de Cláudia Regina. Resultado: foi incluída como litisconsorte passiva no processo e chegou a perder o cargo de governadora. Depois, por meio de liminar, conseguiu se manter no Executivo Estadual, mas ficou inelegível por oito anos e acabou nem conseguindo ser candidata no pleito deste ano.
O presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Francisco José Júnior, do PSD, assumiu a Prefeitura com o afastamento de Cláudia Regina, em novembro de 2013. Foi candidato na eleição suplementar, realizada em maio deste ano e manteve a tradição de eleição, sempre, daquele que estava no poder ou que era apoiado pelo chefe do Executivo.
Depois de ser, apenas, o quarto candidato a deputado estadual em número de votos em 2010, Francisco José, pai do prefeito, viu na condição do filho a chance dele voltar a Assembleia Legislativa. Contudo, por problemas na filiação partidária, ficará fora do pleito deste ano. Ela será a primeira vez, desde a primeira gestão de Rosalba, que o familiar do prefeito mossoroense não conseguirá ser eleito, ao menos, deputado estadual.
Pagamentos irregulares geram suspensão de plantão em hospital
Três semanas depois de transformar em denúncia o inquérito feito pela Polícia Civil sobre o pagamento irregular de plantões eventuais no Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, o Ministério Público do RN precisou solicitar a direção da unidade médica e a Secretária Estadual de Saúde Pública (Sesap) que suspendam, efetivamente, a irregularidade. Isso porque há informações de que o esquema, que teria entre os envolvidos a irmã da governadora Rosalba Ciarlini, Ruth Ciarlini (ex-prefeita de Mossoró na gestão Fafá Rosado), continuava sendo praticado.
Segundo o MP, elementos informativos reunidos ao longo da Operação Ponto Final, da Polícia Civil, indicaram que os ocupantes de cargos de chefia, direção e assessoramento do Hospital vêm sendo gratificados irregularmente pelo exercício destas funções, com pagamento de plantões eventuais e dispensa do cumprimento da carga horária respectiva. A prática ilegal, de acordo com a recomendação, implica em duplo prejuízo: ao atendimento da população e ao erário.
No dia 25 de julho, o Ministério Público transformou o inquérito feito pela Polícia Civil em denúncia contra Eider Barreto de Medeiros, Rosângela Almeida Moreira Carioca e Margareth de Paiva Cavalcante, além de Ruth Ciarlini, irmã da governadora e que deu origem a investigação – quando a imprensa mossoroense noticiou que ela recebia o pagamento de maneira irregular.
Desde que deixou a vice-prefeitura de Mossoró, a ex-deputada estadual Ruth Ciarlini estaria recebendo por plantões eventuais sem prestá-los no Tarcísio Maia. Isso aumentava consideravelmente o salário da irmã da governadora e causava, claro, um prejuízo aos cofres públicos, inchando a folha de pagamento, um dos gastos que o Governo Rosalba mais reclama.
Na época, a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) abriu uma sindicância interna para apurar a irregularidade, assim como a Polícia Civil. No caso da investigação interna, Ruth Ciarlini, segundo informou a assessoria de comunicação da Sesap, Ruth foi “condenada”, tendo a irregularidade registrada em sua ficha e sendo obrigada a devolver o dinheiro – a defesa da governadora negou que isso tenha acontecido.
Na denúncia oferecida perante a 4ª Vara Criminal, o Ministério Público aponta que Eider Barreto de Medeiros, diretor-geral do HRTM, encaminhou à polícia civil, no curso das investigações, folhas de frequência inexistentes à época da requisição, posteriormente “fabricadas” para subsidiar a resposta à autoridade policial.
Já Rosângela Almeida Moreira Carioca, chefe de Divisão do Setor de Serviço Social do HRTM, foi a responsável pelo preenchimento das folhas de frequência retroativas. A tais denunciados foi imputado o crime tipificado no artigo 347, parágrafo único, do Código Penal (fraude processual).
Ainda nos termos da denúncia, Ruth Ciarlini e Margareth Cavalcante, assistentes sociais do HRTM, preencheram falsamente o Livro de Registro de Ocorrências do Serviço Social (Setor das Clínicas) e registraram falsamente a presença no ponto eletrônico em dias nos quais não compareceram ao trabalho. As servidoras foram denunciadas pela prática do delito de falsidade ideológica majorada (artigo 299, parágrafo único, do Código Penal).
SUSPENSÃO
As Promotorias de Justiça requisitaram que, no prazo de 10 dias úteis, o secretário de Saúde, Luiz Roberto Fonseca, e a Diretora-Geral do HRTM, Maria Danísia Morais de Freitas, encaminhem documentação sobre as providências adotadas para o cumprimento da recomendação.
A recomendação, no entanto, não atinge servidores que recebem por plantões eventuais efetivamente prestados, sem pertinência com o exercício de determinada função em particular.
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