Efeito Rosalba

COLUNA RODA VIVA, DO JORNALISTA CASSIANO ARRUDA CÂMARA, PUBLICADA NA EDIÇÃO DESTE DOMINGO (9) DO NOVO JORNAL

Publicado em 11 de março de 2014

Cassiano Arruda Câmara
DO NOVO JORNAL
Faltando menos de oito meses para a eleição, o noticiário político tem oferecido pouco espaço à governadora Rosalba Ciarlini, embora ela tenha todas as condições para tentar a reeleição.

Aceitando-se, sem discussão, a possibilidade de disputa entre um grupo de mais de dez partidos, liderados pelo PMDB, e a chapa Robinson Faria-Fátima Bezerra, lançada pelo PSD e PT, o que aconteceria depois do lançamento da candidatura de Rosalba?

Por maior que seja o seu desgaste e menor que seja a sua possibilidade de recuperação diante da possibilidade de apresentar as suas realizações e justificar as suas dificuldades, só quem não quiser ver não enxerga que a decisão do pleito ficará para um segundo turno. E num segundo turno tudo pode acontecer.

Depois existirá uma outra dúvida colocada de saída: quais os candidatos que chegarão ao segundo turno?

Existe uma regra, aceita por quase todos os analistas políticos, que dão à oposição (qualquer que seja a representatividade dessa oposição) um mínimo de um terço dos votos. Em alguns lugares existiram regras eleitorais que deixavam um terço dos cargos legislativos para a Oposição.
Nesta caso se coloca uma outra questão?

Se qualquer oposição é capaz de contabilizar um terço do total de votos, quanto vale um Governo? Aceitando-se o mesmo princípio, uma candidatura de Rosalba lhe coloca na faixa dos 30% dos votos apurados, restando os outros 70% para as outras duas candidaturas, e sem levar em conta a possibilidade de algum nome lançado pelos partidos nanicos. Como se vê, neste cenário, são grandes as possibilidades da atual governadora alcançar o Segundo Turno, por mais isolada politicamente que ela possa ter se colocado. E, mesmo se não conseguir se colocar na segunda volta eleitoral, assim mesmo poderá ficar numa posição de fiel da balança.

Noves fora todos esses aspectos, não será possível avaliar ainda o que pode acontecer na eleição proporcional, caso a governadora consiga mostrar essa realidade aqui descrita, criando uma alternativa para quem não conseguir uma janela no ônibus de um eventual chapão legislativo.

Passado o Carnaval, entramos numa quaresma que tem tudo para ser movimentada politicamente, permitindo que se tenha o quadro definido muito antes da Copa do Mundo. Isso porque uma das principais características da atividade política é permitir que nada está definido quando tudo já parecia acertado. Como um joguinho de armar, a política, feita de inúmeras peças, pode permitir a mudança do todo na hora que uma dessas pecinhas se mexe.

Rosalba tem evitado falar sobre eleição, mas quando provocada tem dito que vai participar da campanha, embora não se coloque formalmente como candidata. Mas se nenhum dos lados que se apresenta admite contar com o seu apoio, lhe restará a alternativa de disputar a eleição. Até mesmo para fazer a defesa do seu governo, a partir da oportunidade de lembrar em que situação recebeu o Governo do Estado, sem falar na possibilidade de mostrar quais os compromissos que assumiu na sua campanha, quantos conseguiu realizar, e por qual motivo deixou de fazer alguns dos assuntos que apresentou.

Se a atual governadora do Estado deixou de ser lembrada na maioria das conversas desenvolvidas para a costura do quadro sucessório, mantê-la fora das cogitações pode oferecer um alto risco. Mesmo que ela não consiga os votos necessários para se reeleger, ainda poderá influir no resultado final. E muito.
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