Mossoró-RN: Grupo de Fafá evidencia rompimento com a governadora Rosalba

Publicado em 03 de março de 2014
O rompimento do grupo da ex-prefeita Fafá Rosado (PMDB) com a governadora Rosalba Ciarlini (DEM), se antes era comentado apenas nas especulações, devido ao comportamento de distanciamento, de lado a lado, agora parece bem nítido e inquestionável. E coube ao deputado estadual Leonardo Nogueira (DEM), esposo de Fafá, oferecer a última senha que faltava para confirmar o fim do relacionamento político.
Ontem, no lançamento do “RN Sustentável”, o grupo de Fafá não se fez presente, num recado direto à governadora. Nem a ex-prefeita, nem Leonardo. Os dois ficaram ausentes, nem mandaram representantes, ignorando a importância do que é considerado o maior programa social da história do Rio Grande do Norte, com investimento previsto da ordem de 540 milhões de dólares pelos próximos cinco anos.
Não há outra explicação, senão o rompimento político para justificar a ausência principalmente de Leonardo Nogueira, que é deputado matriculado no partido da governadora Rosalba e faz parte da base de sustentação do governo na Assembleia Legislativa. O parlamentar não justificou a ausência e assessores afirmaram que ele não foi convocado para o evento. Versão rebatida pela assessoria do Governo do Estado, que afirma ter convidado todos os integrantes da Assembleia Legislativa.
O fato é que o relacionamento do grupo de Fafá com a governadora não vinha se sustentando desde quando Rosalba assumiu o Governo do Estado do RN. Surgiram queixas de lado a lado. Então prefeita, Fafá reclamou que não estava recebendo bom tratamento do governo, apesar de ter apoiado as eleições de Rosalba em 2006 (para o Senado Federal) e 2010 (para Governo do Estado). A prefeita reivindicou o pagamento de contas que o Estado deve ao Município, mas não teria sido atendida.
Do outro lado, a insatisfação de Rosalba teria ocorrido depois de Fafá ter sido eleita e reeleita prefeita de Mossoró com o apoio à estrutura político-eleitoral do rosalbismo, sem reconhecer no momento seguinte. Situação do dia-a-dia, onde os dois grupos esperavam mais um do outro, foram agravando a crise até chegar um momento insuportável.

ELEIÇÕES SUPLEMENTARES
O quadro piorou e ficou praticamente insustentável depois da cassação de mandato da prefeita Cláudia Regina (DEM), que nas eleições de 2012 teve o apoio de Fafá e Rosalba. Os rosalbistas reclamam que Fafá não foi solidária no momento da derrota jurídica e, ao invés de ficar ao lado da prefeita cassada, se aliou ao prefeito interino Francisco José da Silveira Júnior, inclusive, resguardando todos os cargos de primeiro e segundo escalões.
O desconforto aumentou ainda mais com as críticas de Leonardo Nogueira contra o governo, usando a tribuna da Assembleia Legislativa. Ácido nos pronunciamentos, Nogueira não economizou nos ataques, deixando claro que há tempo não comunga com o pensamento da governadora Rosalba.
Paralelamente, Fafá trilhou o caminho do distanciamento ao trocar o DEM pelo PMDB, sob a justificativa de que estaria viabilizando o projeto de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Curiosamente, Fafá saiu do partido da governadora, mas o esposo Leonardo ficou no DEM, o que aumentou ainda mais a decepção do rosalbismo.
Agora, com as eleições suplementares de Mossoró, marcadas para o dia 4 de maio, certamente o rompimento político será oficializado. O grupo de Fafá praticamente definiu apoio ao prefeito interino Silveira Júnior, enquanto a governadora Rosalba continua afirmando que apoia a prefeita cassada Cláudia Regina.

União durou 12 anos e seis eleições
O relacionamento político de Rosalba Ciarlini e Fafá Rosado tem trajetória cheia de altos e baixos, reversando posições de aliadas e adversárias. História que pode ser resumida a partir dos primeiros anos da década de 2000, até o momento atual.
Em 2000, Rosalba, já no segundo mandato de prefeita, enfrentou Fafá Rosado, nome lançado pelo rosadismo, grupo liderado pela deputada federal Sandra Rosado. A eleição foi fácil, com Rosalba vencendo por uma maioria superior aos 15 mil votos. Mesmo assim, Fafá se fortaleceu, deixando de ser apenas um nome liderado por Sandra para ganhar vida própria na política.
Dois anos depois, em 2002, Fafá e Rosalba estavam juntas por força das circunstâncias de momento. Sem espaço no rosadismo, Fafá buscou novo caminho para viabilizar projeto de ser prefeita de Mossoró. Se abraçou com Rosalba, deixando o PMDB pelo DEM, e apoiando a chapa ao Governo do Estado formada por Fernando Bezerra (PMDB) e Carlos Augusto (DEM), esposo de Rosalba.
Em 2004, Fafá foi a candidata de Rosalba à Prefeitura de Mossoró, derrotando, com facilidade, a candidata Larissa Rosado (PSB), filha de Sandra. Quatro anos depois, em 2008, também com apoio de Rosalba, Fafá renovou o mandato vencendo Larissa outra vez.  Em 2012, Fafá e Rosalba juntas ajudaram Cláudia Regina (DEM) se eleger prefeita e Larissa a amargar a terceira derrota consecutiva.
No percurso da união, ocorreram duas vitórias de Rosalba para o Senado (2006) e Governo do Estado (2010), com apoio de Fafá Rosado em Mossoró.
O que seria para unir o grupo, não funcionou. Queixas e insatisfações de lado a lado se tornaram maior e agora Rosalba e Fafá trilham caminhos opostos, voltando aos tempos de adversárias.
Fonte: Jornal de Fato
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