Carro usado lidera financiamentos

Os financiamentos de carros seminovos no primeiro semestre deste ano superaram – pela primeira vez desde 2011 – as transações deste tipo para a compra de carros novos no Brasil. Os dados são da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip). No Rio Grande do Norte, os usados também são maioria nesse tipo de negociação, com 63,8% dos 26.596 carros financiados no período sendo seminovos – até 8 anos de uso. As condições de parcelamento nas revendedoras, contudo, não diferem tanto. Apesar disso, a “circulação de clientes” tem sido comemorada pelo setor.
No RN, 63,8% dos 26.596 carros financiados de janeiro a junho foram seminovos – até 8 anos de uso

De acordo com o levantamento mais recente da Cetip, neste ano, de janeiro a junho o Estado tem apresentado números melhores na venda de seminovos. Para o vendedor Tiago Oliveira, a supremacia dos seminovos pode ser explicada pelos aumentos sucessivos que os carros novos tiveram nos últimos meses, como a volta da cobrança integral do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados). “A vantagem é essa. Os preços dos 0 km subiram e os seminovos não acompanharam, então o cliente acaba tendo condições melhores”. E acrescentou: “Você encontra um 1.4 completo, ano 2012, por R$ 25 mil. Com esse valor, zero KM, se consegue um carro 1.0 sem nada. O cliente acaba optando pelo custo benefício”. 
A variação de juros e preços é destacada também pela vendedora Mirani Dantas, 32 anos, que trabalha em um revenda de seminovos na BR-101. De acordo com ela, os próprios clientes já perceberam as constantes alterações. “O consumidor hoje está consciente das mudanças. Por exemplo, não posso nem te dar um valor de parcela exato atualmente. Os bancos não deixam mais tabelas, porque os valores mudam sempre. Antes, a gente passava mais de 6 meses com os mesmo percentuais, agora, a única coisa que permanece são os 20% de entrada mínima e as parcelas de 12 à 60 meses”, diz.
Apesar dos bons resultados apontados pela Cetip ao longo deste ano, o segmento potiguar sentiu a falta do fluxo de clientes. Na soma geral do semestre, 2015 acumulou um total inferior ao registrado no mesmo período de 2014. Foram 26.596 carros neste ano contra 27.799 financiados em 2014, retração de 4,3%. E, ao contrário da pequena queda indicada em junho, o setor o classificou como um dos melhores até o momento.



Tivemos um mês de maio muito ruim, de verdade, por reflexo da crise econômica do país. Em junho já houve uma melhora e julho teve boas vendas. Hoje já se nota uma procura e interesse maior dos consumidores, eles voltaram a circular”, analisou Daniel Rocha, proprietário da Auto Oeste Veículos.
Seguindo um caminho oposto aos financiamentos para a compra de veículos, as concessionárias tem apostado nas vendas à vista. Muitas têm optado por reduções nas taxas de juros para os clientes que pagam mais de 60% do valor do carro “de entrada”, chegando, inclusive, à 0%. De acordo com as autorizadas, mesmo com o aumento do IPI, houve queda de 3% à 5% nos preços. “O cliente que se preparou ou tem um poder aquisitivo melhor tem levado vantagem. E temos notado esse retorno. Em relação ao ano passado chegamos à ter uma queda de 12%, mas, começamos a nos aproximar do empate”, afirmou Julio Reis, gerente de vendas da Espacial Chevrolet. 
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