Brasília - A capital federal e outras cidades do Brasil tiveram hoje
(23) protestos simultâneos pedindo o afastamento do presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os movimentos têm em comum o fato de
terem sido articulados via redes sociais. Em Brasília, cerca de 60
pessoas marcharam do Museu da República até o gramado do Congresso
Nacional levando cartazes e faixas e gritando palavras de ordem.
Para o analista de sistemas brasiliense Rogério Salvia, 33 anos, um dos
organizadores da manifestação e integrante do Movimento Contra a
Corrupção do Distrito Federal, o quórum foi pequeno, mas demonstra que,
aos poucos, os cidadãos estão abandonando o chamado "ativismo de sofá",
expressão utilizada para se referir a quem só protesta pela internet. "A
coisa está mudando, o pessoal está começando a sair do conforto de suas
casas", opina.
"Nos conhecemos pelas redes sociais e tudo é articulado pela
internet. Na nossa última manifestação [contra Renan Calheiros], em 9 de
fevereiro, reunimos só 25 pessoas. Hoje deu muito mais gente",
comemorou Rogério Salvia. Ele reconhece que a adesão virtual às causas
costuma ser maior do que o comparecimento real. "Virtualmente, sempre
tem mais gente", admite. Segundo Salvia, as manifestações pela saída de
Renan Calheiros são apartidárias e não envolvem interesses políticos.
"[O protesto] não é contra a pessoa de Renan Calheiros. O que a gente
quer é que a presidência do Senado seja ocupada por alguém que tenha a
ficha limpa. Não ele, que inclusive responde a processo por peculato",
afirma.
As estudantes de 17 anos Isabela Nascimento Ewerton e Sthefany Alves Marques ficaram sabendo do protesto em Brasília por meio da internet e do grupo anticorrupção Juntos por Outro Futuro, do qual fazem parte. "[A mobilização] é uma coisa gradativa, a consciência não vem do nada. Quanto mais você participa, mais consciente se torna", opina Isabela.
Além da organização de protestos, a mobilização para a saída do presidente do Senado incluiu a coleta de assinaturas pela organização não governamental Avaaz, que organiza petições pela internet.
Fonte: Agência Brasil