Prisão dos mensaleiros: Permanece o impasse

Por Carlos Chagas


                                                                  O funil estreitou depois da visita feita pelo novo presidente da Câmara ao presidente do Supremo Tribunal Federal. Antes, Henrique Eduardo Alves dizia caber à Câmara finalizar o processo de cassação  de deputados. Para ele, a declaração de perda de mandato pertence de forma  inequívoca   ao   Congresso. Depois do encontro, acrescentou  ser impossível não cumprir sentenças do Supremo. Pode ter sido um sinal de que  a Câmara apenas  finalizará o processo, sem entrar no mérito das condenações.
                                                                  Significam o quê, essas considerações?  Que uma vez transitada em julgado, a mesa da  Câmara tomará  conhecimento da condenação dos quatro deputados e irá declarar a perda obrigatória  de seus mandatos? Ou, no reverso da medalha,  abrirá processo contra eles no Conselho de Ética, com  prazo para as defesas e, no caso de condenação, passará a decisão ao plenário, em data previamente marcada?
                                                                  Numa palavra, persiste o impasse, porque para Joaquim Barbosa, assim que transitada em julgado, quer dizer, publicada no Diário da Justiça, a sentença  com a perda dos direitos políticos e  dos mandatos dos quatro deputados será automática.
                                                                  Não há como conciliar as duas hipóteses constantes  da Constituição, mesmo cabendo ao Supremo Tribunal Federal interpretar a lei fundamental.
                                                                  Além de jurídica, a questão é política. Porque na Câmara o PT se mobiliza para exigir o ritual envolvendo o Conselho de Ética e o plenário.  Claro que acolitado pelo PR e o PP, já que se  João Paulo Cunha e José Genoíno são companheiros,  Waldemar da Costa Neto é republicano e Pedro Henry, popular. Três partidos da base de sustentação do governo.
                                                                  Foi um gesto de boa vontade de Henrique Eduardo Alves indo ao gabinete de Joaquim Barbosa, mas nem por isso estarão as armas ensarilhadas.   Permanece o impasse.

Fonte: Cláudio Humberto.com.br

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